Ana Fadigas: Quando os ídolos são pessoas como nós
7 Maio 2020
Catarina Correia Martins

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Catarina Correia Martins

Para muitos, os artistas, os ídolos, os famosos são pessoas inatingíveis. Quando os vemos, na televisão, nas revistas, nos jornais, supomos que aquele mundo é algo onde nunca poderemos entrar. Ana Fadigas nunca pensou assim e diz mesmo que nunca os viu «como pessoas impossíveis de conhecer», e talvez tenha sido essa convicção que a levou a conhecer muitos dos artistas de quem gostava e até a travar amizade com alguns deles.

A origem

Ana Fadigas é natural de uma pequena aldeia no concelho de Coimbra, e desde cedo sentiu «fascínio pelo palco, pelas televisões, por tudo». «Depois, com o desenvolver das redes sociais, comecei a ver fotos deste e daquele com artistas que eu gostava e pensei “se eles conseguem, eu também tenho de conseguir”», lembra. Foi aqui que tudo começou, tendo por mote a «determinação» de Ana, que ressalva, no entanto, uma ajuda fundamental: «Tive amigas que me ajudaram e apoiaram nisso, inclusive algumas com os mesmos gostos e os mesmos sonhos que eu», conta.

Mickael Carreira foi o primeiro “alvo”, «a primeira pessoa que quis conhecer». Até atingir este objetivo, demorou «anos», uma vez que tinha «12 anos na altura», dependia dos «pais para ir a algum lado e como eles não ligam a estas coisas», tornava-se um pouco «mais difícil». Mais uma vez, foram as amigas que «facilitaram o processo». «Conheci o Mickael num concerto em Coimbra, os meus pais foram comigo, lá encontrei-me com uma amiga, inicialmente amiga da internet, para quem já era hábito ir aos concertos, guardou-me lugar na fila de autógrafos, para os meus pais não se “passarem” com a espera», recorda. A partir daí foi uma construção: «Comecei a ir a mais concertos, com boleias de amigas, com as mães das amigas, de comboio… Ia sempre aos autógrafos e, assim, ele ia-me reconhecendo», refere. Esta relação entre artista e fã acabou por «fortalecer» quando, em trabalho, Ana Fadigas se cruzou com Laura Figueiredo, a mulher de Mickael Carreira.

A admiração pelo mais velho dos irmãos Carreira, estendeu-se depois ao mais novo, David Carreira, e ao pai, Tony Carreira. Além desses, constam da lista de ídolos de Ana Fadigas, Diogo Piçarra, Sérgio Rossi, João Paulo Rodrigues e o DJ Rúben da Cruz. Apesar de já os ter conhecido a todos, é com os três últimos que mantém «mais contacto dentro e fora de palco» e com quem se sente «mais à vontade». Aliás, esta relação com João Paulo Rodrigues trouxe-lhe até uma oportunidade de trabalho: «Por me conhecer, por saber onde me licenciei [em Comunicação Organizacional pela Escola Superior de Educação de Coimbra] e por saber que até tinha uma página de fãs dele, convidou-me a trabalhar nas redes sociais de Quim Roscas e Zeca Estancionâncio. Fi-lo durante cinco meses e foi uma experiência incrível. É um projeto de que sou completamente fã e são duas pessoas que adoro e levo comigo para a vida. Por motivos pessoais e profissionais, tive que deixar esse trabalho, infelizmente… Mas continuo a apoiar e a seguir o projeto», revela.

A dificuldade de seguir os artistas quando se está dependente dos pais

Apesar de não ser das pessoas que corre o país atrás dos seus ídolos, chegou a fazer parte de um «clube oficial de fãs» do Mickael Carreira, no entanto, essa aventura acabou por durar pouco tempo. «Queria muito aquilo mas tinha que ser eu a pagar e não era fácil», lembra, todavia aproveitou o tempo de que dispôs nessa situação: recebia «brindes no início de cada tour», postais no aniversário e no Natal, participou num almoço-convívio com a presença do cantor e participou em passatempos, tendo mesmo ganho um que lhe deu acesso ao backstage de um concerto.

Diz que, por norma, vê o artista de que gosta quando este atua a «no máximo, uma hora de viagem» do sítio onde vive, porém admite que «houve uma altura mais irreverente». Como os pais apenas a acompanhavam a concertos do Tony Carreira, por fazer parte também dos gostos deles, e ainda não tinha carta de condução, «mas tinha companhia para estas maluqueiras», por vezes foi a concertos «de comboio, dormia lá em hotéis e voltava a casa no dia a seguir». Isto aconteceu com espetáculos de David Carreira, «há uns três ou quatro anos, pois tinha companhia para o fazer». Aos concertos mais perto, ia com amigas, «de transportes públicos ou com a mãe de uma delas», depois quando atingiram a maioridade e «começaram a tirar a carta», tudo se tornou «bem melhor e mais fácil».

Ana Fadigas adianta que, apesar de os pais não alinharem neste seu gosto, nunca a «proibiram de nada». «Confiavam em mim e nas pessoas com quem eu ia. Ao longo do dia, das viagens, íamos mantendo o contacto e mostrando que estava tudo bem», conta.

Um amor que se transformou em profissão

Este gosto deixou de ser apenas um passatempo quando influenciou diretamente a escolha de Ana Fadigas para o futuro. O que começou por ser um fascínio e se tornou verdade através da determinação, fez com que escolhesse Comunicação Organizacional, no ensino superior, «com incidência na comunicação e nas relações pública», tendo o seu estágio sido realizado «na área dos eventos e da importância da comunicação dos eventos».

Por isso, durante quatro anos, ofereceu-se como voluntária para o apoio ao backstage da Expofacic, um dos maiores festivais de música e gastronomia da zona centro do país. «Consegui essa oportunidade porque a minha amiga de concertos e madrinha de cursos estava a estagiar na Câmara Municipal de Cantanhede [organizadora do certame]», revela. «Por gostar daquele ambiente e do mundo do espetáculo», e também por estar “livre” nos dias da feira, nos aos seguintes voluntariou-se sempre e é uma experiência que guarda com muito carinho.

Adepta também de um «bom bailarico», reconhece que as bandas que atuam nos arraiais populares «têm imenso talento, um grande “trabalho de casa” e muito boas atuações». É junto de uma delas que hoje desenvolve o seu trabalho, a banda Soul Music, uma «banda de baile de dimensão pequena». A oportunidade surgiu pelos conhecimentos que tinha junto de elementos da banda que, assim que arrancaram com o projeto, solicitaram logo a sua ajuda. Hoje, «giro as redes sociais; no início de cada tour, planeio o cartaz, idealizo as roupas a usar e o local onde se vai fotografar a imagem oficial daquele ano; preparo um plano de roupas a usar no decorrer de cada atuação; faço assistência de palco e fotografo os bailes», conta.

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