Natalina Vieira: Mãe aos 22 anos e mãe aos 46
18 Junho 2020
Jéssica Moás de Sá

Escrito por

Jéssica Moás de Sá

A maternidade não é um desejo de todas as mulheres, mas talvez da maior parte. Diz-se que a certa altura o “relógio biológico” começa a funcionar, como um sinal de alerta de que “está na hora de ser mãe”. Natalina Vieira, de 49 anos, foi mãe por duas vezes, em contextos e momentos da sua vida bem diferentes: foi mãe de Miguel aos 22 anos e mãe da Inês aos 46. Como foi viver a gravidez em fases tão diferentes? É o que a própria nos conta.

Na primeira gravidez “nada correu bem”

Natalina Veira tinha 22 anos quando decidiu que queria trazer ao mundo um novo ser e ganhar um novo papel na sua vida: o papel de mãe. O bebé seria assim fruto de uma «gravidez desejada» e apesar da sua juventude, sentia-se «preparadíssima» para a responsabilidade que aí vinha. Natalina já tinha um contexto favorável: «Já estava a trabalhar há muitos anos, até porque não estudei e achava que era a altura certa», frisa, reconhecendo que atualmente, por motivos vários, nomeadamente por questões académicas e profissionais, os casais acabam por adiar para mais tarde esta decisão.

O Miguel estava quase a chegar à família, mas o caminho não foi nada fácil. «Eu tinha 22 anos e acreditava que tudo ia correr bem, mas a verdade é que nada correu bem, ao contrário do que se possa pensar, foi uma gravidez de risco», conta. Os problemas foram variados e as análises que foram sendo feitas ao longo da gravidez foram dando indícios de que o bebé não estava a desenvolver, os médicos temiam que «entrasse em sofrimento». Às 36 semanas de gravidez, foi chamada de urgência pelo médico que a seguia que, ao analisar as análises, concluiu que de facto o «bebé estava pequeno demais» e por isso o parto teve de ser provocado. O Miguel nasceu apenas com 1540 gramas.

As semanas seguintes foram, à semelhança da gravidez, «atribuladas», mais uma provação para Natalina Vieira. «Foi mau, porque ele ficou internado até ter dois quilos e meio», explica, acrescentado que mesmo depois disso, o filho foi sempre «uma criança muito doente» e por isso «foi difícil de criar». Todos estes problemas levaram a que Natalina pensasse que estava «completamente fora de questão voltar a ser mãe». Mas o destino trocou-lhe as voltas e há três anos voltou a sê-lo, neste caso de uma menina, a Inês.

Como o sol e a lua

Não podiam ter sido mais diferentes as duas gravidezes de Natalina Vieira. E se ser mãe aos 46 anos poderia indicar um maior risco, o que é medicamente factual, em nada isso foi notório na sua experiência. Antes de engravidar da Inês, Natalina já tinha sido obrigada a fazer um aborto, devido a «uma gravidez que não evoluiu». E mesmo depois desse processo, sempre doloroso para uma mulher e para o casal, manteve uma atitude positiva. Ainda assim, desta vez, preveniu-se e optou por não contar que estava grávida, até uma certa altura da gestação: «Pensei em ficar calada, porque tinha contado a toda a gente que estava grávida e depois tive o aborto. Ficámos calados à espera que as coisas evoluíssem favoravelmente. Só contei ao meu filho, era a única pessoa que sabia além de nós os dois [Natalina e o marido]». A reação do filho é que não foi a melhor, confidencia. «O Miguel reagiu muito mal, até por ter tido aquele aborto antes. Quando lhe disse que estava grávida ficou muito zangado. Eu por um lado entendo, porque ele tinha 22 anos e já não estava a contar com aquilo. Talvez estivesse habituado a ser filho único e pode ter sentido a sua privacidade invadida. Mas, hoje em dia, eles dão-se muito bem, gostam muito um do outro e ele é muito protetor em relação à irmã».

Esta foi uma gravidez muito diferente da primeira, Natalina diz mesmo «que não tem nada a ver», porque uma foi «péssima e outra excelente». O contexto económico e a própria idade também ajudaram a viver esta gravidez com «mais tranquilidade», até porque aos 22 anos «ainda estava a pagar casa», tinha outros encargos que atualmente já não tem. «As primeiras fraldas e o primeiro leite» que comprou quando foi mãe de Miguel foi com dinheiro emprestado pelo sogro, recorda. Reconhece que sabia o risco que corria em ser mãe aos 46 anos, e frisa que «cada pessoa deve pensar por si própria» para tomar a decisão de ser ou não ser mãe mais tarde, lembrando que cada caso é um caso. Há uma coisa de que tem a certeza, a sua atitude positiva pode ter ajudado: «Eu sou uma pessoa muito positiva e eu achava que tudo ia correr bem, que era o que estava guardado para mim».



Medo de não conseguir acompanhar o crescimento?

A opção por engravidar aos 46 anos teve que ver com o facto de Natalina estar num novo relacionamento, com um companheiro que não tinha filhos, mas que tinha esse desejo, de se tornar pai. A, na altura, futura mãe de Inês concordou em dar esse passo na relação, sem nunca se ter assustado, garante. «Nunca me assustou, apesar de ter sido muito complicado, as pessoas ficaram muito chocadas, mas não tive medo de contar às pessoas, eu vivo em função daquilo que eu própria penso. Nunca me importei, não me fez diferença nenhuma», frisa.

«Das fraldas e das noites mal dormidas» também nunca teve medo e admite que a única grande dificuldade que sente é ter-lhe calhado na sorte uma criança energética: «Ela é uma criança que me põe muito à prova, tem uma energia que nunca se esgota e confesso que para isso não estava preparada, porque tive um filho que era mesmo muito calmo», admite. Sabe que faz «o melhor» que pode e apesar de estar prestes a fazer 50 anos e admitir que já não tem a mesma energia do que quando «tinha 24 ou 25», sente que consegue e vai conseguir acompanhar a filha no seu crescimento. «Sinto que vou conseguir acompanhar, até porque não me considero uma retrógrada e antiquada, mas admito que me sinto muito cansada», confidencia. Uma coisa é certa, «nunca sentiu qualquer arrependimento» de se ter tornado mãe nesta fase da sua vida e sabe que agora tem dois grandes amores na sua vida: o Miguel e a Inês.

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