Rui Fernandes: O “Populus” a partir do “coração de Portugal”
6 Agosto 2020
Catarina Correia Martins

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Catarina Correia Martins

Rui Fernandes é o novo colaborador do Populus. Sentimos, desde o primeiro momento, que se têm a confiança de partilhar connosco a vossa história, têm todo o direito de conhecer a nossa. Por isso, logo no arranque do projeto, apresentámos a Catarina Correia Martins (cuja história podem ler aqui) – eu – e a Jéssica Moás de Sá (está aqui a história dela). No seguimento dessa postura, tendo um novo colaborador, achámos que era de toda a justiça apresentá-lo.

Paixão pelas origens

Rui Fernandes tem 26 anos e é do Caramulo, no distrito de Viseu, «o coração de Portugal», como o próprio o apresenta. Apaixonado pela terra que o viu nascer, é lá que sente «uma paz» que diz não «encontrar em mais lado nenhum». «Embora tenha vivido em Coimbra [durante três anos] e também em Lisboa [outros três], e apesar de adorar Lisboa, é uma cidade fantástica, sinto-me bem aqui. Talvez seja estranho para jovens da minha idade, que querem sempre sair para as grandes cidades, porque têm mais oportunidades e onde o estilo de vida é completamente diferente, mas eu sinto-me apaixonado aqui…», revela.

Para si, o Caramulo é uma zona «muito bonita» e considera que não consegue encontrar outro sítio na país «que seja tão calmo e, ao mesmo tempo, tenha tanta coisa para ver, tanta coisa diferente»: «No Caramulo, por exemplo, existe um dos melhores museus a nível europeu, o Museu do Automóvel, que tem coleções de automóveis, desde o final do século XIX até aos dias atuais. Não se consegue encontrar isso em mais lado nenhum em Portugal. Há uma coleção de arte com Picasso e Salvador Dali… E isso é um museu perdido no meio da serra», conta. Rui Fernandes afirma que «a envolvente de natureza é inexplicável», e em mais sítio nenhum tem «as mesmas sensações».

Apesar de se confessar, desde sempre, um amante do seu berço, admite que a paixão pode ter-se mantido ou crescido devido ao facto de, com a idade, ter passado a gostar «mais do sossego do que da agitação de uma grande cidade». Todavia, não descarta a possibilidade de se mudar, por exemplo para a capital, uma cidade de que, como já referido, gosta «muito». «Mas não é trocar, porque se me perguntassem onde prefiro viver, provavelmente diria Caramulo», sublinha.

O êxodo

Nascido e criado no interior do país, sabe que isso, em certos casos o limita: «Uma pessoa do interior não tem tantas oportunidades como alguém que vive no litoral e nas grandes cidades», constata. E a explicação é simples: «É muito mais difícil chegar a pessoas, a lugares… E isso limita bastante aquilo que podemos realizar, coisa que não acontece em cidades como Lisboa, Porto ou Coimbra», reitera.

Quando chegou a hora de ingressar no Ensino Superior, Rui Fernandes rumou à cidade dos estudantes, Coimbra, para estudar Comunicação Social e seguir uma paixão que tinha praticamente desde a infância. «Comecei a escrever na Escola Básica do Caramulo, quando andava no 5.º ano. Fazíamos trabalhos, resumos de livros e os professores de Português sempre disseram que eu tinha algo mais do que os restantes em termos de escrita», recorda. Foi então que decidiu criar o seu primeiro blogue, Escrever sem Segredos, assim lhe chamou, onde escrevia as suas «histórias» e as suas «visões sobre a atualidade». Foi então com 10 anos que descobriu «a paixão de escrever para as pessoas, não de escrever um livro, mas de escrever notícias, de ser jornalista, dar a conhecer as coisas às pessoas, tais como elas eram», explica. O seu «primeiro grande sonho» era, assim, «conseguir ser um jornalista de renome»: «Quando entramos em Comunicação Social, é aquilo que ambicionamos», considera.

Ao chegar a Coimbra, em 2012, considera que «era um pouco superficial nas emoções e nos sentimentos». «Não sei se foi porque vivia no interior e, quando fui para uma cidade maior, queria que as pessoas gostassem de mim, daquilo que eu fazia, eu tinha medo do preconceito», reconhece. Oito anos depois, considera que é hoje uma pessoa diferente: «Tenho um respeito enorme por todas as pessoas, tento conhecê-las ao máximo e uma coisa que eu aprendi foi a não tirar ilações ou fazer julgamento sobre alguém, sem antes a conhecer bem. O que eu diria ao Rui daquela altura, quase uma década depois, era para conhecer bem as pessoas e ser ele próprio, porque eu talvez tenha camuflado um pouco aquilo que realmente era», afirma.

A descoberta de alternativas

Terminada a licenciatura e depois de algumas experiências na área, em Lisboa, Rui Fernandes decidiu inscrever-se num mestrado no ISCTE, em Lisboa, em Ciência Política, um dos seus temas favoritos. «Fiquei pelo 1.º ano porque me fui apercebendo de que, talvez, as coisas não fossem tão lineares como eu pensava. A política é um mundo enorme. E não me revia em muitas das coisas que fui aprendendo», conta.

Sem oportunidades na área para a qual estudou, Rui Fernandes começou a procurar alternativas e foi no turismo que viu a saída. Há quatro anos a trabalhar na área de hotelaria, diz sentir-se «bem» no que faz, mas que isso não o «preenche de todo». «As minhas ambições não passam por ficar num front office de um hotel, mas conseguir gerir um ou, quem sabe, vários. Esse é o meu grande objetivo», adianta. Trabalhar na área de marketing e comunicação é, também, para si, uma opção: «Talvez me sentisse realizado. Fazê-lo num grupo [de hotéis] é muito mais complexo do que aquilo que as pessoas pensam», revela.

Ser colaborador no Populus

Convidado para fazer parte deste projeto, pela sua formação e pelo seu gosto pela escrita, Rui Fernandes considera que o Populus vai dar-lhe «a possibilidade de escrever e dar a conhecer histórias, algo que, desde os 10 anos» sonha fazer.

O que é que os leitores podem esperar de ti?
«Aquilo que me disserem, será transcrito da forma mais verdadeira, sem rodeios. [Prometo] Sempre verdade à história, acho que esse é um dos mais importantes princípios. E depois, se conseguir, juntar alguma criatividade em termos de escrita».

Preferias…
Livro ou filme? Livro.
Filmes ou séries? Séries.
Noite ou dia? Noite.
Estação do ano? Isto vai surpreender, mas inverno.
Doce ou salgado? Salgado.
Ir ou voltar? Nesta altura, ir.
Cor preferida? Preto.
Cidade ou campo? Campo.
Mar ou rio? Rio.

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