Inês Martins: O rosto escondido do Populus
7 Janeiro 2021
Catarina Correia Martins

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Catarina Correia Martins

Em edição de aniversário, decidimos apresentar-vos a história de um dos rostos do Populus, ainda que seja o mais escondido de todos. Inês Martins tem 20 anos e é quem gere e dinamiza a página de Instagram do blogue. É ela quem nos dá as boas notícias quando uma publicação teve mais interações do que o habitual e é também ela quem sabe mais sobre o algoritmo daquela rede social e que, por isso, nos vai dando alguns conselhos. Venham conhecê-la…

Natural de Coimbra e a estudar Fisioterapia, é desde o início uma das peças-chave deste projeto. Foi escolhida pela relação familiar com uma das criadoras do Populus, mas também porque era quem dominava melhor o Instagram, uma rede social que consideramos essencial, nos dias de hoje, para chegar ao público. «Eu sou as mãos escondidas por trás do Instagram, faço as publicações e os stories e giro a rede social», explica.

Quando questionada sobre o porquê de ter aceite o desafio para fazer parte desta (pequeníssima) equipa, respondeu que viu «este projeto nascer muito antes sequer de ele vir a público» – Inês Martins foi quem fez o primeiro projeto do Populus, ainda em formato blogue. «Sei que é um projeto especial e gosto muito do conceito. No fundo, o Populus é quase um bocadinho meu também», afirma (e nós confirmamos: claro que sim!). De futuro, diz querer «muito que este projeto possa ganhar mais notoriedade, chegar a mais gente e ter mais reconhecimento». «Acho que é um projeto feito de pessoas, que conta histórias reais e, numa sociedade cada vez menos “humana”, acho que precisamos de mais realidade nas nossas vidas», considera.

Quem é, afinal, a Inês?

Por acreditarmos que aquilo que somos se resume também naquilo que fazemos, e depois de falarmos da sua relação com o Populus, a conversa com Inês Martins revela-nos outras vertentes da sua vida.

Foi na adolescência que o seu gosto pela escrita ganhou outro ímpeto. Apesar de considerar que «sempre» gostou de escrever, foi «quando tudo na nossa vida é um drama» que começou a sentir mais necessidade de o fazer. «Então, comecei a escrever e a publicar. Inicialmente, não era propriamente para alguém ler, mas acho que lhe comecei a tomar o gosto», revela. E assim nascia o seu primeiro blogue. Com o passar do tempo, considera que foi «evoluindo e partilhando coisas diferentes» e, para si, «ter um blogue, sempre foi como ter um “diário público”».

Hoje, apesar de não conseguir definir o estilo de blogue que tem com uma etiqueta única, afirma que o Fika é «uma mistura de várias coisas» sobre as quais gosta de falar. «Tem sido uma evolução minha, pessoal, em termos de escrita, do conteúdo que planeio, da minha organização e com mais ou menos pessoas a ler, acho que tenho conseguido trazer conteúdo mais consistente e que pode ser útil a algumas pessoas. [No fundo], partilho o que sou, o que gosto e o que me faz feliz com os outros», frisa.

Outra das vertentes da sua vida e que, considera, a define, é o escutismo. Escuteira desde 2015, conta que «desde muito nova» foi «aliciada» para entrar no movimento, já que a sua irmã mais velha era escuteira. «Mas eu achava sempre que aquilo não era para mim», afirma. No entanto, «uma experiência de um campo de férias religioso» que, «não sendo igual», lhe mostrou o que «era acampar», assim como outras «coisas comuns ao escutismo». «Gostei tanto daquela experiência que decidi experimentar os escuteiros… Cinco anos depois, ainda cá continuo», frisa.

«Acho que ser escuteira me ajuda muito a manter um equilíbrio na minha vida», sublinha. «São duas ou três horas por semana em estou só ali, a pensar e a fazer aquilo, desligo do resto e isso faz-me muito bem. Os fins de semana a acampar funcionam quase como um detox, porque realmente desligo de tudo o resto e foco-me só em viver aquilo», revela.

A paixão pela dança

«A dança sempre será um capítulo muito importante na minha vida», atira, logo que se fala no tema. Desde pequena que sente «o bichinho»: «Sempre que havia música, fosse onde fosse, eu dançava», lembra. Mas foi aos 7 anos, num ginásio perto de casa, que integrou um grupo e que começou a levar este gosto mais a sério. «Fui sempre acompanhando a evolução do grupo e a determinado ponto começámos a competir, o que nos fez evoluir e com que a minha paixão continuasse a crescer», adianta.

«Para mim, aquilo que se sente antes de entrar num palco e quando se está lá em cima, é indescritível. Nos segundos antes de entrarmos, quando ouvimos o nosso nome, é uma descarga de adrenalina tão grande que, às vezes, nem nos apercebemos do tempo a passar, nem do que fizemos em cima do palco», refere. «Não há mais nada na minha vida que me faça sentir como me sentia quando dançava», afirma. Elege como o momento mais feliz da sua vida, aquele em que com as Triple DC, o seu grupo, venceu o concurso Yorn Dancers, o que as levou a atuar em todos os dias do Rock in Rio. «Foi uma experiência incrível que, noutras circunstâncias, nunca teria vivido», recorda.

Este foi, no entanto, um capítulo que se viu obrigada a encerrar, no final de 2019. Com a entrada no ensino superior, sentiu-se obrigada «a fazer uma opção por uma questão de gestão de tempo e de sanidade mental». Escolheu sair do grupo porque, durante o primeiro ano da licenciatura, quando ainda se mantinha, «foi muito difícil gerir» ambas as coisas, sendo que o tempo de avaliações correspondia à época de competição. Hoje, diz não saber se algum dia vai voltar a integrar um grupo e a competir, todavia garante que uma parte de si «vai estar sempre ligada à dança, àquele grupo e àquelas pessoas».

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