Hugo Monteiro: Um testemunho de fé
28 Janeiro 2021
Catarina Correia Martins

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Catarina Correia Martins

Nunca somos uma só coisa, há sempre inúmeras vertentes dentro de nós que nos fazem ser tantas coisas diferentes. O Hugo Monteiro não é exceção e é isso que partilha connosco, hoje, aqui.

Hugo Monteiro tem 39 anos e é natural de Coimbra. Nos dois primeiros anos teve morada na Fonte do Castanheiro, tendo-se mudado depois para Lordemão, onde construiu toda a sua vida. Formado em Engenharia Civil pela Universidade de Coimbra, trabalha na área desde que terminou o seu curso, tendo o seu percurso profissional passado muito pelo Algarve, ainda que trabalhe em todo o país, nomeadamente na parte de direção de obra.

Aquilo que nos levou a escolher o Hugo para ser o protagonista de mais uma história do Populus foi o testemunho de fé que vimos em si. Como o próprio diz, não tem propriamente uma parte «não católica»: «A fé vive em mim». «Tive a sorte e a felicidade de os meus mais me terem inscrito na catequese quando era pequeno. Claro que passei por aquela fase de não me apetecer ir, de não gostar, de não perceber, mas à medida que fui crescendo, e eu sou assim também a nível pessoal, fui tentando perceber o que andava ali a fazer», conta. Foi a partir dessas questões que começaram a surgir respostas que deram origem a mais perguntas e assim sucessivamente. «Comecei a querer mais, e uma coisa que ainda hoje faço muito é questionar a minha fé, perguntar porquê, questionar o que me dizem, o que eu leio… E isso cada vez me entusiasma mais. Quando questionamos, quando nos colocamos mesmo do lado de lá e abraçamos esta fé, as respostas aparecem», sublinha.

Hugo Monteiro fez o percurso catequético normal e diz mesmo que quando fez o Crisma, foi um «momento único e fantástico». No entanto, não se deixou ficar por aí: «Nunca se termina um percurso de fé. A catequese nunca termina e é um erro tremendo pensarmos isso. A fé é uma oportunidade para a vida. Por conceitos ideológicos ou pela própria sociedade, inclusive a Igreja nos leva a pensar isso, parece que fazemos aquela etapa dos 10 anos e depois terminamos e eu acho que é uma estupidez pensarmos assim», afirma. Por isso, continuou a envolver-se nos vários grupos da sociedade e aponta dois momentos que considera «fundamentais» na sua «vida cristã»: «A minha participação numa Jornada Mundial da Juventude, foi perceber que afinal, esta Igreja e esta fé, este Deus que nos cativa, pode ser vivido de tanta forma, com milhares de pessoas de todo o mundo, mas que o Deus é sempre o mesmo, a sua essência é a mesma», revela e acrescenta que isso mudou a sua «forma de olhar para a Igreja, para Deus e para a fé». O segundo momento foi aquando de uma peregrinação a Taizé, uma comunidade ecuménica, em França, «uma experiência de retiro de uma semana», em que diz ter «percebido a importância do outro», na sua vida e na forma de viver a sua fé.

Desde então, não mais parou. «No Crisma, quando falamos dos dons do Espírito Santo, lembro-me perfeitamente de uma conversa que tive uns dias antes de ser crismado, com um padre, e de ele me dizer que só somos felizes ao máximo, quando colocamos os nossos dons aos serviço e é verdade», avança. Por isso, afirma ter decidido colocar os seus dons ao serviço da comunidade, da Igreja e de Deus, «seja o dom da música, da animação, da palavra, da boa disposição». «Quando faço isso, fico feliz!», frisa.

O papel da música

Outra das vertentes muito importantes na vida de Hugo é a música. Entrou na sua vida precisamente «com a viola e o teclado a animar as Eucaristias». «Eu não sou músico, gosto mais de me ligar à parte da animação, usando a música», explica. Foi no seguimento disso mesmo que, em conjunto com Henrique Vaz, «um amigo», criou os HR Animação. «Começámos numa aventura de amigos, que através da música proporcionavam momentos de animação em eventos. Ao início começou como uma brincadeira, mas correu bem e eu comecei a ter o cuidado de perceber o que é que as pessoas precisavam. A pouco e pouco, começámos a ter mais contactos», conta. O conceito, diz, é simples: «Fazemos jogos e danças, de maneira a que pessoa sinta que está envolvida numa festa e não a ver uma festa. A nossa preocupação é sempre envolver as pessoas na festa», diz.

Com a pandemia, como todos os grupos musicais que dependem de festas para existir, deixaram de ter espetáculos. No entanto, isso não fez com que parassem: «Avançámos com outras ideias. Criámos o HR Talk Show [em que o Populus já participou, revejam aqui], e tem sido outra vertente de animação. Já passámos os 30 programas, sempre num conceito de conversa animada, de boa disposição, que é o que me caracteriza», refere.

Outro dos seus projetos musicais é a Banda da Paróquia, «uma banda católica, dedicada à música em que queremos mostrar que a música de influência cristã é tão boa como outra qualquer. E a música tem esta capacidade de nos despertar a fé». A banda tem já alguns anos e no currículo soma já vários palcos em todo o país. A vitória mais recente do seu palmarés foi tornada pública recentemente: são os vencedores do hino da Jornada Mundial da Juventude, que vai decorrer em Lisboa, em 2023. Há pressa no ar (ouçam aqui) é o nome da canção. A letra é da autoria do padre João Paulo Vaz e Pedro Ferreira, o diretor musical da Banda da Paróquia, fez a música, trabalhada por toda a banda, sendo que «cada um teve o seu papel». Henrique Vaz na guitarra, Bruno Maricato no baixo, Pedro Ferreira no teclado, João Tavares na bateria e Ana Rita Francisco e Hugo Monteiro na voz são os elementos que compõem a banda e estão agora a «trabalhar num primeiro álbum, também nesta junção da fé e da música, juntar os dois nesta simbiose perfeita».

Jornada Mundial da Juventude é “o” encontro

E se uma Jornada Mundial da Juventude (JMJ) teve um papel tão fundamental na vida de Hugo Monteiro, agora está ele a trabalhar para proporcionar isso a outras pessoas. Atualmente é o responsável pelo Comité Organizacional Diocesano de Coimbra para a Jornada Mundial da Juventude 2023. «A JMJ é aquele encontro que pensamos que pode existir, mas que nunca vivemos, costumo dizer isso. É o maior encontro mundial que existe, em que nos entregamos de uma forma única porque sabemos que é especial», começa por dizer. Hugo considera que este encontro é «incrível e mesmo aquele que a sua fé é uma migalhinha pequenina que quase não se vê, vem de lá completamente transformados, e aquele que tem uma fé fortíssima, vem de lá completamente transformado também», afirma. «Esta JMJ, sendo em Portugal, é uma oportunidade única para o país, para aqueles que vivem a sua fé numa migalhinha ou mesmo para aqueles que nem precisavam disso para nada – pensam eles. É uma oportunidade única para aqueles que não acreditam, se desafiarem a perceber algo disto. O que eu digo a muita gente é: podem não acreditar depois, mas aproveitem e vivenciem», sublinha.

O seu papel, enquanto líder do Comité Diocesano é preparar a pré-jornada. «Muitas das pessoas que vêm fazer a Jornada, vêm uma semana antes e ficam distribuídos por Portugal inteiro. Coimbra assumiu acolher muitos destes jovens, que vêm fazer a pré-jornada na nossa Diocese, que apanha não só o distrito de Coimbra, mas também parte dos distritos de Aveiro, Castelo Branco, Viseu, Leiria e Santarém», explica. «Neste momento estamos em contacto com pessoas de França, Austrália, Estados Unidos, Brasil e a nossa vontade é que a Diocese viva a pré-jornada na sua plenitude. E até à data da pré-jornada, que toda a Diocese caminhe junta para algo tão grande», afirma, rematando que «tem sido uma aventura. Todos fazemos falta e todos vamos fazer parte desta grande família».

Organização é a chave

Mas como é que alguém com uma vida profissional dita normal tem ainda tempo para todos estes projetos, e com tanta dedicação em todos eles? A resposta é: organização. «Considero-me uma pessoa organizada. Claro que por vezes algo fica para trás, mas com confiança, vontade e com a cooperação das pessoas que envolvem, especialmente a minha família, é possível», revela. Para Hugo, «as pessoas que dizem que não podem, que não têm tempo, às vezes são as que podem sempre, e quem não pode é quem diz logo que sim». Afirma que, na sua vida, aprendeu «a dizer que sim», mas admite que já sofreu «um bocado por dizer que sim tantas vezes». No entanto considera que «se nos organizarmos, se falarmos, se nos comprometermos com as pessoas certas, é possível darmos o dobro ou o triplo do que damos». «Sempre procurei que as pessoas me envolvessem nos vários projetos e me dessem a maior ajuda possível. Felizmente tenho conseguido», termina.

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